Entenda por que o preço dos metais está em baixa
As cotações de algumas commodities metálicas, como níquel e alumínio, já se aproximam dos custos de produção
Natalia Gómez - AE Empresas e Setores
A forte queda nos preços dos metais negociados no mercado internacional, inicialmente atribuída à redução das operações de crédito no mundo e à crise financeira, é agravada pela perspectiva de demanda mais fraca depois que a zona do euro, Reino Unido e o Japão entraram oficialmente em recessão. Com esse novo cenário, o recuo de preços é tão intenso que, em alguns casos - como zinco, alumínio e nível -, as cotações se aproximam dos custos de produção. Desde julho, os preços do cobre caíram de US$ 8,5 mil por tonelada para cerca de US$ 3,6 mil. O níquel, cotado a US$ 22 mil por tonelada em julho, é negociado por US$ 10,7 mil a tonelada.
Apesar de não serem cotados em bolsa, o minério de ferro e o aço também são afetados, indicando perspectiva negativa para empresas mineradoras e siderúrgicas. O preço do aço, que se aproximou de US$ 1,5 mil por tonelada este ano, despencou abaixo de US$ 700, tomando como referência as bobinas a quente. O cenário é tão crítico que, no caso do minério, a Vale precisou abrir mão de um reajuste adicional de 12% que havia sido negociado com a Ásia neste ano.
China
A maior pressão de demanda sobre o setor vem da China, que até recentemente era o principal responsável pelo avanço dos preços. Em outubro, as exportações líquidas de aço do país caíram 36% em relação ao mês anterior, somando 3,6 milhões de toneladas. As exportações brutas recuaram 31% no período, enquanto as importações encolheram 9%, sinal de que tanto a demanda interna quanto a externa estão em retração. As importações de minério de ferro na China também foram reduzidas em 22% no mês, para 30,6 milhões de toneladas, segundo relatório divulgado pelo banco UBS Pactual.
O pacote de incentivo anunciado pelo governo local no início de novembro, de US$ 586 bilhões, trouxe alívio apenas momentâneo, pois ainda existem incertezas sobre qual será o vigor do crescimento chinês no futuro. Os produtos mais beneficiados com as medidas, focadas em construção e infra-estrutura, devem ser o de aço e os metais básicos, como o cobre. Outros itens, como o níquel, podem sentir menor efeito do pacote porque estão mais relacionados a produtos finais, como aço inoxidável utilizado na fabricação de eletrodomésticos ou automóveis.
Segundo o Standard Bank, especializado na área de metais, a estagnação pode persistir no setor apesar das medidas chinesas de estímulo, especialmente se o dólar continuar a se valorizar e se os estoques seguirem crescendo. Para proteger a rentabilidade, as mineradoras já começaram a anunciar cortes de produção.
Vale
A brasileira Vale informou que pretende reduzir sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas, o que equivale a um corte de 9,2% no total de 325 milhões de toneladas inicialmente previstas para 2008. Com relação ao níquel, a Vale decidiu deixar de utilizar energia de geração termelétrica na operação na Indonésia, o que levará a um corte na produção do metal da ordem de 20%, representando 17 mil toneladas. Outras empresas, como a Xstrata e a Rio Tinto, anunciaram que seguirão a mesma estratégia da Vale.
Neste momento, a única boa notícia para as empresas do setor é a valorização do dólar, uma vez que seus custos são denominados em moedas mais fracas e suas receitas justamente em dólar. A prudência adotada pelas mineradoras pode ser uma das chaves para superar a derrocada dos preços, a depender da extensão que a crise pode atingir sobre a economia real nos próximos meses.
Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado.
Publicado em: 21 de novembro de 2008, 03h00Alterado em: 21 de novembro de 2008, 03h00
domingo, 23 de novembro de 2008
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